Muitos jardineiros cometem o erro fatal de plantar framboesas ao longo das cercas do norte ou sob as copas das velhas macieiras, esperando que a cultura seja despretensiosa. Se na primavera se vê uma vegetação luxuriante, mas não se encontram ovários, o problema reside numa falta crítica de fotossíntese e na violação do ciclo dos botões florais. Testei na minha própria parcela como a deslocação de apenas dois metros para o sol quintuplica os rendimentos sem fertilizantes desnecessários.
A luz como principal material de construção
As framboesas são plantas do deserto e precisam de luz solar direta durante pelo menos 6-8 horas por dia. Na sombra densa, os rebentos começam a esticar-se de forma não natural, tentando “alcançar” o sol. Como resultado, todos os recursos do arbusto são gastos no crescimento da madeira em vez da formação de frutos.
Perigos ocultos da deficiência solar
A falta de bagas é apenas a ponta do icebergue. A humidade constante e a falta de ventilação nas zonas de sombra criam a incubadora perfeita para as doenças.
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Didymella (mancha púrpura) afecta os caules especificamente em plantações densas e escuras.
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Podridão cinzenta destrói instantaneamente os poucos ovários que surgiram.
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Clorose das folhas é causada pela má absorção de micronutrientes em solos frios e sem iluminação.
Nuance secreta: se não puder deslocar a framboeseira, faça uma poda radical e desbaste os arbustos de modo a que entre os rebentos passe o vento. O sol deve iluminar todas as folhas, e não apenas as superiores, caso contrário os botões inferiores simplesmente “adormecerão”.
Como resolver a situação na primavera
Se o transplante não for possível agora, é necessário estimular artificialmente a planta e melhorar o regime de luz através dos métodos disponíveis.
– Instalar treliças de modo a que os ramos não se sombreiem uns aos outros. – Utilizar farinha de dolomite para desoxidar, pois o solo acidifica-se frequentemente mais depressa à sombra. – Corte todos os rebentos fracos e finos sem pesar. – Cobrir o solo com materiais de cor clara (palha), que reflectem parcialmente a luz para cima, para a parte inferior do arbusto.
Mark Van der Beer é um especialista em horticultura industrial e culturas de bagas. Há mais de quinze anos que se dedica à adaptação de variedades tradicionais de framboesa a condições climáticas difíceis e à implementação de sistemas de frutificação intensiva. Concebeu pessoalmente mais de quarenta pomares privados onde resolveu o problema da “floração vazia” sem a utilização de produtos químicos agressivos.
Uma distribuição adequada da luz e uma poda primaveril competente podem reanimar até o jardim de framboesas mais negligenciado.
Perguntas mais frequentes:
As framboesas podem dar frutos em plena sombra?
Não, as framboesas precisam de luz intensa durante a maior parte do dia para formar uma colheita completa.
O aumento da rega nas zonas de sombra pode ajudar?
A rega excessiva à sombra apenas provocará o apodrecimento das raízes e infecções fúngicas.
Quais são as variedades que toleram melhor a semi-sombra?
As variedades florestais e algumas espécies remontantes são mais tolerantes, mas também reduzem o rendimento sem sol.
É necessário alimentar as framboesas à sombra com azoto?
O azoto provocará um crescimento ainda maior da massa verde em detrimento dos bagos, pelo que a sua quantidade deve ser limitada à sombra.
Quando é que é melhor transplantar as framboesas para um local ensolarado?
A altura ideal é no início da primavera, antes do início do movimento da seiva, ou em meados do outono, após a queda das folhas.
A sombra afecta o sabor dos bagos?
À sombra, os bagos crescem pequenos, aguados e com baixo teor de açúcares.
A poda das copas à sombra pode ajudar?
Sim, estimula a ramificação lateral, mas sem luz estes ramos também ficarão estéreis.
A gestão adequada da luz continua a ser um fator chave de sucesso no cultivo de framboesas de jardim.

