Muitos jardineiros enfrentam um fenómeno frustrante na primavera: os tomateiros parecem saudáveis e poderosos, mas as flores simplesmente murcham e caem, não deixando ovários. Passei anos a procurar a causa nos fertilizantes, até que percebi que o problema reside em configurações subtis do microclima e da fisiologia das plantas, que podem ser corrigidas num dia, sem custos excessivos.
Porque é que uma estufa se transforma numa armadilha
A primeira razão, e a mais comum, é o regime de temperatura. Os tomates são extremamente caprichosos em relação aos graus na altura da floração. Se estiver demasiado quente na estufa, o pólen torna-se estéril. Se estiver demasiado frio, simplesmente não amadurece.
Humidade e qualidade da polinização
O segundo problema é a humidade. O tomate é uma planta autopolinizadora, mas para que o pólen caia das anteras para o pistilo, é necessário que esteja friável.
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Com uma humidade elevada (superior a 70%) o pólen aglomera-se.
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Se o ar estiver demasiado seco, o pólen não pode ser retido no estigma do pistilo.
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A falta de movimento do ar numa estufa fechada impede a queda natural do pólen.
O meu segredo: todas as manhãs, por volta das 10 ou 11 horas, percorro as fileiras e sacudo ligeiramente as borlas das flores ou bato na treliça. Isto cria uma “nuvem” de pólen que garante a polinização mesmo com tempo sem vento.
Nutrição sem distorções
Muitas vezes, somos nós próprios os culpados pela falta de frutos, ao “alimentarmos” demasiado as plantas. Se vir enormes folhas verdes escuras e copas retorcidas, mas as flores são poucas ou fracas, o seu tomate é um tomateiro está a ficar gordo.
Como resolver as coisas rapidamente
Se notar que as flores começaram a cair, é preciso atuar imediatamente. A pulverização com preparados à base de boro é uma “ambulância” para os tomates.
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O tratamento deve ser efectuado estritamente sobre as folhas e as borlas das flores.
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Escolher de manhã cedo ou ao fim da tarde para evitar queimaduras solares.
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Certifique-se de que estabelece a ventilação através da abertura de portas em ambos os lados da estufa.
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Utilize a cobertura vegetal para suavizar as flutuações de humidade no solo.
Dica importante: Não cortar todos os rebentos de uma só vez em tempo quente, pois isso coloca muito stress na planta, o que pode levar a uma queda maciça de flores já formadas.
“Markus Weber é um perito no domínio dos solos protegidos e da agricultura biológica. Há mais de quinze anos que cria e cultiva vegetais no clima variável da Europa Central. Markus testou pessoalmente dezenas de métodos de estimulação de frutos e é um defensor de uma abordagem biológica à jardinagem.”
Perguntas mais frequentes:
Porque é que as flores ficam amarelas e caem em cachos inteiros?
A principal razão é um sobreaquecimento crítico do ar acima dos trinta graus, altura em que o pólen perde a viabilidade.
É necessário utilizar um pincel de polinização?
Este método é eficaz para alguns arbustos, mas para as plantações em massa é melhor utilizar o método de sacudir ligeiramente a treliça.
O ácido bórico ajuda a aumentar o número de frutos?
Sim, o boro melhora a germinação do pólen e ajuda a reter os ovários no arbusto em condições de stress.
Com que frequência se deve ventilar uma estufa de tomate?
As persianas e as portas devem estar sempre abertas se a temperatura exterior tiver subido acima de quinze graus.
A rega afecta a quebra das flores?
As mudanças abruptas da seca para a rega provocam um choque fisiológico que desencadeia a queda dos ovários.
Os tomates podem ser pulverizados durante a floração?
Pode, mas apenas com um pulverizador fino e durante as horas em que as plantas estão fora da luz solar direta.
O que fazer se os tomates começarem a engordar?
É necessário parar imediatamente a fertilização com matéria orgânica e azoto, bem como aumentar os intervalos entre regas.
O controlo adequado da temperatura e a assistência atempada à polinização permitem-lhe obter uma colheita rica mesmo na primavera mais caprichosa.

